quarta-feira, 27 de abril de 2011

Pedaços pelo caminho

Fragmentos vão se descolando ao longo destes longos caminhos, são longos, são muitos, são dois, são do bem...do mau, de flores e de ventos, de aromas e de sabores. Pedaços de sabor deixamos em cada um que olhamos, pedaços de cheiros comemos de quem tocamos, pedaços de alma arrastamos em nossos longos caminhos, nos fantasiamos com a péle de outro alguém, nos divertimos pelos longos caminhos.
Somos feitos de pedaços alheios, de emoções que não são nossas, de gosto de salivas que nem sabemos...quiçá boa...somos pedacinhos de doce de salgado de meio amargo de azedo de agre de sabores de aromas...somos pedacinhos de gente. Tão bonito sermos pedacinhos de gente boa, com uma gota de pimenta, afinal maldade em doses pequenas excita a qualquer.
Belos pedaços de gente, colagens de corpos, fragmentos de todos, doses de prazer.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O vento e a folha

O vento passou e levou o tempo e arrastou com todas as folhas que ainda restavam em um daqueles galhos que vejo...via, pois o tempo não tem tempo, ele simplesmente atropela quem no seu caminho está. 
Cá estava em minha tranquilidade interior quase estática, imóvel meu coração, batia devagarinho...tinha uma pequena sensação de que iria parar. Eis que a ventania entrou trazendo o tempo, derrubou com tudo fez bagunça, descabelou, fez sorriso fez lágrima, saiu sorrateiramente pelos fundos, quando dei por mim estava em meio a rugas a mágoas sem aromas...definhando em solidão.
O vento se foi...deixou o tempo que tratou por passar mais rápido que minha vida, quando meus olhos enfim puderam ver este tempo passado, com horror as lágrimas rolaram pela face machucada. Uma das folhas que havia em outro tempo sido arrastada pra longe estava de volta ao seu galho pelado, depenado por este tal vento/tempo num sorriso triste dei-me por conta que logo minha face volta a se recuperar e o tempo perdoa pelo vento ter passado depressa por aqui, dei-me conta que logo logo o tempo volta trazendo um vento bom, vento de primavera, vento das flores, vento do amor, vento do sexo livre, vento do despudôr, vento da boca aberta, vento da folha que volta e vai, vento do meu riso que fica, vento da tua boca na minha, vento do bem leve estar...
O vento e o tempo fazem as pazes na primavera, e loucamente brincam com os corpos.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Um brinde

Ando querendo me afastar de mim mesma, ando querendo ser imparcial comigo e com os outros, querendo ser de verdade, querendo não ter...nem sentir, um olhar bonito, um olhar de gente pura...como não vejo a anos.
Quando convivia com os cavalos, como o pasto, com gente simples o mato era mais bonito, o rosto era deveras mais sincero, o olho olhava dentro sem intenções outras que não fossem do bem...olho hoje com espanto de como as pessoas são de carne...osso...e um vazio infinito, não existe mais gostar sem nada em troca, um gostar de quem se gosta por bem...existe sim um gostar do que se vê, do que se apresenta bonito, do que fala bem, do que foi lá ou aqui...nada de ser humano...nada de eu gosto e ponto é só isso. Sabe é dificil tentar ser você, sem enfeites, afinal a vida só te oferece porpurina para que se maquie do seu interior mais bonito, gostaria de entrar e lá visualizar como é realmente esta alma que me parece tão apetitosa, creio que veria tanta porquice que todos os enfeites pendurados em seu corpo de nada serviriam para que pudesse te gostar. Isto tem sentido aos que sentem de verdade, aos que vêem com os olhos da alma, aos que valorizam boas palavras e não mentirosas conversas...
Pelo menos que faça sentido aos que tentam isso!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Diga!

Palavras matam, saem da boca como uma facada direto na cabeça...coração é bobagem, cabeça é louco...mata mesmo, ouvi meio sem querer porque estava ali de bobeira sentada ao lado...saiu da boca, assim como quem cospe e não tem intenção de acertar ninguém... martelou na minha cabeça no instante em que ouvi...pensei porque isso e não aquilo outro que é tão mais honesto tão mais bonito..porra eu diria o outro, jamais diria aquilo.
Não tenho medo de usar palavras que me comprometam, gosto de comprometer meus dias, sejam fadados ao fracasso ou a dias normais, sabe aquela coisa que irrita?!...Seja sincero, use as palavras que tens na boca e que queres dizer, o que quer dizer mesmo "estar comigo" ou mesmo "está contigo", pra mim quer dizer duas pessoas que estão juntas e isso tem nome...acho que é namoro, não tenho certeza mas pode ser.
Não tem razão de ser estas letras soltas que escrevo hoje, foi só uma facada na minha cabeça.

sábado, 2 de abril de 2011

Um dia de febre

Começa assim, alguém chega e diz:
- Que bom conversar com gente inteligente.
Balanço minha cabeça em sinal positivo...e começo a pensar quem ? do que ela está falando?
Acho inteligência tão sincero tão ímpar tão pessoal...tão momento, todo mundo tem seu momento de gênio, faz-se um comentário que todos a sua volta: - Nossa como ela é precisa e inteligente.
Nada tem haver com inteligência estes momentos, tem haver com percepção de olhares...capta-se no ar oque os sinais evidenciam e ponto. Sabe-se que pessoas são horríveis e perigosas, e articulam o tempo todo...então o que nos resta é sermos...fingirmos inteligência.
Momentos febris nos fazem ter ódio e ao mesmo tempo rirmos dessas loucas situções que acontecem, não é comum, é anormal, não existe...é só isso.
E isso me assusta.