quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Borboleteie comigo...

Só um pouco enquanto não morro, ande comigo é tão lindo este caminho cheio de flores, os pássaros voam onde eu caminho, as borboletas estão em toda parte, o pôr do sol o mais lindo já avistado.
E que tal pra começar podíamos andar em silêncio, nada mais de som, só o som de nossa saliva sendo engolida, podemos fazer amor por telepatia, podemos fazer bem próximos pra que eu sinta teu calor...enquanto esta brincadeira demora pra acontecer eu vou flautiando só por este caminho que na verdade nem tem tantas flores assim, mas é belo igual sem você, na verdade acabo de mudar de idéia.
Não quero que venha pro meu mundo e tão puro tão belo por aqui, que acho que vais estragar tudo se trouxer teu afeto pra cá, aqui os sentimentos são verdadeiros, nada de amor, carinho, paixão, tudo de tato, péle, senciblidade, em doses diferentes, nada de exageros, cortar os pulsos aqui é fora de moda...

...Sexo vem dos outros e vai embora, amor vem de nós e demora...
Rita Lee

então um dia que estiver entediada, mas esse é um dia que não sei se chegará, posso eu ir até você e ditar as regras, muntar em você e dizer como deves me tocar, posso sim, mas não sei se este dia vai chegar.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Desisto de mim

Sabe que acabo de descobrir que não tenho vontade de escrever sempre e isto nem é ruim, é só...só isso mesmo, daí não escrevo, fico quieta ou exploro outros campos de minha vida, flauteio tanto que minha cabeça pira, e quando resolvo borboletiar por aí sem saber? oq? onde? nada...
E quando eu escrevo, bem me sinto, mas só as vezes nem tenho esta vontade de largar meus pássaros selvagens, tenho mesmo vontade de deixá-los engaiolados em minha mente pra que eu absorva o sangue deles e as idéias se espalhem na minha corrente sanguínea e não encontro meio de expelir isto...
Acabo por escrever, acabo por libertar meus queridos pássaros, saem de minha mente loucos a voar em outras mentes.

domingo, 19 de setembro de 2010

Encaixe

Como pode? cada verso, cada vírgula, cada ponto, cada pingo nos (i), completarem-se como se nascessem um pro outro. É assim que vejo, é assim sinto os poemas de Quintana, acordes perfeitos, uma sincronia, os movimentos todos ensaiados e meticulosamente apresentados em versos, em letras, em música, em poesia, aos nossos olhos... saudades de quem gostaria de conhecer.

Belo por belo

MONOTONIA
É segundo por segundo
Que vai o tempo medindo
Todas as coisas do mundo
Num só tic-tac, em suma,
Há tanta monotonia
Que até a felicidade,
Como goteira num balde,
Cansa, aborrece, enfastia...
E a própria dor - quem diria? -
A própria dor acostuma.
E vão se revezando, assim,
Dia e noite, sol e bruma...
E isto afinal não cansa?
Já não há gosto e desgosto
Quando é prevista a mudança.
Ai que vida!
Ainda bem que tudo acaba...
Ai que vida tão cumprida...
Se não houvesse a morte, Maria,
Eu me matava!

Mario Quintana

sábado, 18 de setembro de 2010

Dopada

Viste tu? to completamente perdida, sem saída, tomando três, quatro calmantes por dia, as vezes acho que por hora, preciso aliviar esta tensão em meu corpo insano, te pesso que compreenda esta dor não é minha...mas to sentindo ela tão pungente, latente, saltando. Vai passar eu sei, mas com remédio fica mais colorido, sinto ele me descendo pela garganta, quando chega no estômago e o suco gástrico dissolve, sinto se repartindo pelo meu corpo agindo em lugares que nem eu sentia dor. Na hora meus olhos baixam, ficam entre abertos, leve fico, flutuo por aí, borboleteio em meio a sensações boas, sem dor, anestesiada, curada de todo mau, que há em meu corpo, ele se torna são novamente...1-2-3 horas maravilhosas, lá vem! a dor novamente...cadê os meus remédios azuis e rosa? pega pra mim, sabe que tem outra coisa que me conforta é te ter aqui para achar minhas pílulas mágicas, sem ti não poderia, já estou com minha visão conturbada, meus olhos abrem e fecham na medida certa para que veja meus dedos levando minhas lindas cápsulas a  boca, já chego a ficar sedenta por estas pequenas belezuras, me tratam tão bem, assim como tu, que me trás alento em dias de frio e vento forte, gosto quando você vem me trazer meus remédios. Tenho a impressão que és minha morte, e ela vem tão doce através de ti.