quarta-feira, 4 de julho de 2012

PARA ANDRÉ



  PARA HELENA



        Vi-te uma vez, só uma, há vários anos, 
        já não sei dizer QUANTOS, mas NÃO MUITOS.
        Era em junho; passava a meia-noite
        e a lua, em ascensão, como tua alma,
        nos céus abria um rápido caminho.
        O luar caía, um véu de seda e prata,
        calma, tépida, embaladoramente,
        em cheio, sobre as faces de mil rosas,
        que floreciam num jardim de fadas,
        onde até o vento andava de mansinho.
        Caía o luar nas faces dessas rosas,
        que morriam, sorrindo, no jardim
        pela tua presença enfeitiçado.


        Toda de branco, vi-te reclinada
        sobre violetas; e o luar caía
        sobre as faces das rosas, sobre a tua,
        voltada para os céus, ai! de tristeza!


        Não foi o Destino, nessa meia-noite,
        não foi o Destino (que é também Tristeza)
        que me levou a esse jardim, detendo-me
        com o incenso das rosas que dormiam?
        Nenhum rumor. O mundo silenciava.
        Só tu e eu (meu Deus! Como palpita
        o coração, juntando estas palavras!) ...
        Só tu e eu... Parei... Olhei...
        E logo todas as coisas se desvaneceram.
        (Lembra-te: era um jardim enfeitiçado.)


        Fugiu a luz de pérola da lua.
        Os canteiros, os meandros sinuosos,
        flores felizes, árvores aflitas,
        tudo se foi; o próprio odor das rosas
        morreu nos braços do ar que as adorava.


        Tudo expirara... Tu ficaste... Menos
        que tu: a luz divina nos teus olhos,
        a alma nos olhos para os céus voltados.
        Só isso eu vi durante horas inteiras,
        até que a lua fosse declinando.
        Ah! que histórias de amor se não gravavam
        nas celestes esferas cristalinas!
        que mágoas! Que sublimes esperanças!
        que mar de orgulho, calmo e silencioso!
        e que insondável aptidão de amar!


        Mas, afinal, Diana se sepulta
        num túmulo de nuvens tormentosas.
        Tu, como um elfo, entre árvores funéreas,
        deslizas, Só TEUS OLHOS PERMANECEM.
        NÃO QUISERAM fugir e não fugiram
        Iluminando a estrada solitária 
        de meu regresso, não me abandonaram
        como fizeram minhas esperanças.


        E ainda hoje me seguem, dia a dia.
        São meus servos – mas eu sou seu escravo.
        Seu dever é luzir em meu caminho; 
        meu dever é SALVAR-ME por seu brilho,
        purificar-me em sua flama elétrica,
        santificar-me no seu fogo elíseo.
        Dão-me à alma Beleza (que é Esperança).
        Astros do céu, ante eles me prosterno
        nas noites de vigília silenciosa;
        e ainda os fito em pleno meio-dia,
        duas Estrelas-d'Alva, cintilantes,
        que sol algum jamais extinguirá.



                                   (Edgar Allan Poe)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Em dias assim...

Me distrai dias assim...
com minha boca tendo voz só dentro de mim,
conversar com estranhos me distrai assim...
não falar, não ouvir, nada de perguntas
Me distrai dias assim...
pegar um rumo desconhecido que se pareça com nada visto
nada ouvido, num lugar qualquer
Em dias assim...terminarei este, não pensando.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Blá...blá...blá

Não gosto de dar explicações sobre silêncios, por não querer, por querer, por fazer, por não se mexer... gosto mesmo é dessas calmarias que vem de dentro pra dentro, gosto de me esconder lá, é escuro, é aconchegante, é leve e por final é simples, ali onde não se fala, nem se quer se pensa certo,são todas letras soltas que nem valem à pena tentar juntá-las, que se percam no espaço do vazio de meu esconderijo.
Quando quiser se quiser...tentarei sair do de dentro pra fora, mas isso é se falar...se pensar, como andam escassos pros lados de fora coisas que valham pensar, juntar, falar, ouvir, digerir, ficamos por aqui onde há calmaria.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Digestão, absorção...

Gente o corpo é uma caixa louca de surpresas, ora me deparo querendo correr de onde estou ora cá quero ficar...
Ainda não descobri qual é o segredo desta absorção de informações, novidades, na verdade penso eu com está minha cabeça que pouco pensa. Que a magia se dá assim: Você chega, aaaaaaaaaaaaa, quer sair correndo, porquê? tem só coisas e essas coisas são todas estranhas, então você primeiro vê de perto essas coisas, depois você cheira essas coisas e como num passe de mágica você come elas, come todas sem distinção de sabor de aroma, você simplesmente come...
Logo vomita uma ou duas ou três até mesmo infinitas, é existem muitas coisas, mas tem algumas dessas "coisas" que você vai digerir, absorver e elas se tornarão parte de você...e por fim você não quer mais correr.
Nós decidimos ficar aqui, você e essas tais coisas que são você hoje.

sábado, 6 de agosto de 2011

Um lamento

Sabe que acabo de me dar conta que ninguém me lê, isso me feriu de tal maneira a ponto de desistir das letras, deixá-las voar em outros olhos, tais olhos estes que consigam deslumbrar-se ao ver estes belos pássaros selvagens a voar e acariciar estes olhos...azuis, verdes, castanhos, tristes. Meus olhos secaram, acho que nem eu mesmo posso me ler acho que as letras deixaram de ser pássaros selvagens em minhas mãos, tornaram-se iguais, ficaram presos, lamentável pensar que não tenho mais este cúmplice em meus dedos, pensar que a tinta das minhas idéias secou, pensar que meus dedos estão paralisados, meus olhos fechados, meu silêncio vazio.
Perdi meus pássaros, quem sabe reecontro eles quando outros olhos virem por aqui.