quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Palavras soltas...

...à partir dessa loucura, ele se põe a fazer amor com as invenções da imaginação...  


...dentro de suas águas nosso nome dorme, esquecido...

...Pela palavra introduzo meu sêmen em outro...

...O ouvido é feminino. O ouvido é um vazio, concha, um convite a palavra que lhe trará prazer e vida...


...Mundo estranho, este- envolvido por ausências...


...beleza é o nome daquilo que perdemos...


 ( Lições de Feitiçaria- Rubem Alves)

Esperemos

HÁ OUTROS DIAS que não tem chegado ainda,
 que estão fazendo-se 
como o pão ou as cadeiras ou o produto
 das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão-
existem artesãos da alma
 que levantam e pesam e preparam
 certos dias amargos ou preciosos
 que de repente chegam à porta
 para premiar-nos com uma laranja ou assassinar-nos de imediato.



Pablo Neruda( uma grande inspiração)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Então... é lindo!!!

E os ventos?

E eles estão vindo...
 em forma de vendaval,
e os ventos estão de leve tocando nossa pele
estamos quase sem sentir
eles irão chegar para varrer nossa alma
nos abriremos em flor
um canto de pássaro será nosso som
e os olhos? coloridos estão!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O gato preto!

...Mas amanhã morrerei e quero hoje aliviar minha alma...

O gato preto ( Edgar Allan Poe)
Estamos todos dizendo a verdade e contestamos tempo todo pela mentira alheia...
impossível dizer verdades tempo todo, nos confortamos com "mentiras cotidianas", não agridem, não ferem...?
Os fatos estão escondidos...logo mentira é.
Falamos a verdade maquiada pela mentira, a mentira retarda a verdade e é planejada de tal forma que uma estratégia mirabolante vai tomando conta de nossos pensamentos, e logo nos consumimos pela mentira, não podendo mais voltar com a verdade, até que ela mesma queira se mostrar.
A verdade não é doída é a maneira com que contamos que a torna mentira.

Janice Rubim ( dos meus piores textos retomo meu lugar neste blog)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

PARA ANDRÉ



  PARA HELENA



        Vi-te uma vez, só uma, há vários anos, 
        já não sei dizer QUANTOS, mas NÃO MUITOS.
        Era em junho; passava a meia-noite
        e a lua, em ascensão, como tua alma,
        nos céus abria um rápido caminho.
        O luar caía, um véu de seda e prata,
        calma, tépida, embaladoramente,
        em cheio, sobre as faces de mil rosas,
        que floreciam num jardim de fadas,
        onde até o vento andava de mansinho.
        Caía o luar nas faces dessas rosas,
        que morriam, sorrindo, no jardim
        pela tua presença enfeitiçado.


        Toda de branco, vi-te reclinada
        sobre violetas; e o luar caía
        sobre as faces das rosas, sobre a tua,
        voltada para os céus, ai! de tristeza!


        Não foi o Destino, nessa meia-noite,
        não foi o Destino (que é também Tristeza)
        que me levou a esse jardim, detendo-me
        com o incenso das rosas que dormiam?
        Nenhum rumor. O mundo silenciava.
        Só tu e eu (meu Deus! Como palpita
        o coração, juntando estas palavras!) ...
        Só tu e eu... Parei... Olhei...
        E logo todas as coisas se desvaneceram.
        (Lembra-te: era um jardim enfeitiçado.)


        Fugiu a luz de pérola da lua.
        Os canteiros, os meandros sinuosos,
        flores felizes, árvores aflitas,
        tudo se foi; o próprio odor das rosas
        morreu nos braços do ar que as adorava.


        Tudo expirara... Tu ficaste... Menos
        que tu: a luz divina nos teus olhos,
        a alma nos olhos para os céus voltados.
        Só isso eu vi durante horas inteiras,
        até que a lua fosse declinando.
        Ah! que histórias de amor se não gravavam
        nas celestes esferas cristalinas!
        que mágoas! Que sublimes esperanças!
        que mar de orgulho, calmo e silencioso!
        e que insondável aptidão de amar!


        Mas, afinal, Diana se sepulta
        num túmulo de nuvens tormentosas.
        Tu, como um elfo, entre árvores funéreas,
        deslizas, Só TEUS OLHOS PERMANECEM.
        NÃO QUISERAM fugir e não fugiram
        Iluminando a estrada solitária 
        de meu regresso, não me abandonaram
        como fizeram minhas esperanças.


        E ainda hoje me seguem, dia a dia.
        São meus servos – mas eu sou seu escravo.
        Seu dever é luzir em meu caminho; 
        meu dever é SALVAR-ME por seu brilho,
        purificar-me em sua flama elétrica,
        santificar-me no seu fogo elíseo.
        Dão-me à alma Beleza (que é Esperança).
        Astros do céu, ante eles me prosterno
        nas noites de vigília silenciosa;
        e ainda os fito em pleno meio-dia,
        duas Estrelas-d'Alva, cintilantes,
        que sol algum jamais extinguirá.



                                   (Edgar Allan Poe)